Assisti há poucos dias uma entrevista com a banda Cake em
que o vocalista ao explicar uma de suas músicas, que foi single e era
aparentemente imprópria para isso por causa da negatividade, acabou teorizando sobre o sentimento de
ódio e revolta que de vez em quando sentimos e então passamos algum tempo
remoendo essa sensação sobre o mundo sem saber muito bem como ele apareceu ou como se fortaleceu.
Sim, é aquele ódio particular que surge primeiro com coisas
distantes: começa-se odiando um político, depois passa a odiar na mesma
proporção o apresentador hipócrita de programa famoso, então começa o afunilamento, encontra-se
um amigo de muito tempo e o que seria um bom reencontro torna-se um tédio. Dias
depois o Rodrigo Bocardi no Bom Dia São Paulo está mais irritante que o normal, seus familiares começam a testar sua paciência, a maioria das pessoas
com que se convive todos os dias estão óbvias, para-se de acessar o youtube só
para evitar a vinheta publicitária. O ódio invade aos poucos, até que chega na
própria pessoa. E passa a se odiar. E, claro, a odiar a vida. E é sobre esse momento de completo enjoo pela vida que a música fala.
A sorte é que um dia acordamos e esse período fica esquecido
e imediatamente nos tornamos a pessoa que o outro irá a odiar profundamente.
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