domingo, 16 de março de 2014

Pistas

Em True Detective, Marty diz que o erro de sua vida foi muitas vezes o mesmo erro de seu trabalho de detetive: seguir a pista errada. Rust, ao contrário, nunca segue a pista errada, nem no trabalho. A vida dele é sem escolhas, forças como a da morte a comprometeram de forma que ele seguiu a única pista que tinha, o que fez ele se tornar um cético, um pouco irritante mas principalmente lúcido.

Rust, todos os seus problemas e filosofias são mesmo traços de uma personagem de TV,  porque vivemos, infelizmente, num mundo de Martys em que sustentamos a ilusão de vida tranquila, do trabalhador respeitado e da família feliz, enquanto que ignoramos as necessidade de mudanças e os nossos problemas reais.

Marty segue a pista errada: amantes, a relação distante com suas filhas, ficar do lado do cara errado no trabalho e etc. Ele parecia querer só o caminho mais tranquilo e desde seus primeiros depoimentos descobrimos que o que ele tem agora é de certa forma tudo o que ele procurou seguindo suas pistas.

Creio na sorte de Marty também, na sorte de ter chance de ficar sozinho e poder perceber os erros e talvez o recomeço, que muitas vezes é só continuar mas de uma forma diferente. 

O que diferencia Rust de Marty é o não desperdício de tempo, é não ficar considerando a cada falha um mero “ao menos tentei”, é saber que poderia ter escolhido ou feito melhor mesmo que isso exija, seguindo a opinião de segundos, um sacrifício ou que pareça loucura, desde que se saiba tudo o que tem e tudo o que se é. 

Por isso que Marty sugere a Rust a silent reflection enquanto estão dentro do carro.

 http://paulterwhite189.tumblr.com/post/79716313792

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