segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Que dia agitado hoje seria

Acordar na zona sul, andar pelo Leblon pensando como é viver naquele bairro que apesar de ser carioca nem parece brasileiro. Não por isso, vamos a caminho da Cinelândia, vamos ver a escadaria de Selarón, vamos ver  os detalhes da obra que estaria sempre em movimento, se não fosse a desgraça desavisada da vida.

Subir e depois descer: Santa Teresa. Será que é a presença de amigos de Coimbra ou será que aquele bairro realmente cheira a vida universitária? Por enquanto não vou saber responder, mas fico com a beleza da simplicidade e do antigo. Casas ao invés de prédios. Botecos ao invés de restaurantes. Cores ao invés do cinza. O bairro da Carmem Miranda.

Depois, a Lapa. Na Lapa tem neguinho mal encarado. Na Lapa não é bom dar sopa, guardar a câmera, não ficar olhando muito, segurar a bolsa perto do corpo.
Mas é claro, vi na Lapa o lugar boêmio e sujo dos sambas, neguinho mal encarado não é nada,  sabemos tão pouco das histórias que aconteceram ali. Lembrei do Madame Satã, negro e travesti. Ouvi uma espécie de bloco de carnaval tocando Carcará, ao lado de barracas mal conservadas, que vendiam lanches e bebidas, e na frente dos Arcos. Atrás dos Arcos, Circo Voador. Me lembrei da música: cool e popular, cool e popular. Por acaso na Lapa tem um muro onde podemos escrever nossos sonhos.

Comer depressa, vamos pegar um táxi, próxima parada é a Estação Primeira de Mangueira. Para chegar lá, passamos pelo novo Maracanã, iluminado com as cores rubo negras, vai ter jogo do Flamengo.

Comprar o bilhete tentando ignorar a molecada pedindo uma moedinha, por favor. Molecada não, criançada. Não era a mesma cidade, mas me lembrei de Jorge Amado e mentalmente escolhi o Antônio Balduíno daquele bando.

Dentro da quadra o pagode, depois o samba e a invasão da comunidade. Pra mim era passeio, mas aquilo era a sério, vocês tratem de decorar o samba enredo, tem ensaio no próximo sábado, nada de acompanhantes. Meninas e senhoras vestindo suas melhores roupas fabricadas por elas, o prazer de saber o valor.

 O prazer de cantar e dançar para algo que se tem muito respeito, acho que elas não sabem muito bem, mas elas estão emocionadas assim porque é o samba que dá um tempo na vida grosseira e canta sobre as qualidades do morro, das comunidades. Essa vida que mesmo quem não sabe quer dar sua opinião, mesmo se for de dentro de quartos refrescados por ares condicionados.

É preciso talvez uma vida inteira para entender e lidar com o porquê que vivemos em cidades que parecem não ter meio termo. Ou talvez eu não saiba exatamente o que seria o meio termo do meu dia. Dentro de uma cidade que arranca beleza e vida na mesma proporção.






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