Assistir ao filme A Gaiola Dourada (Ruben Alves, 2013) me fez
naturalmente lembrar e pensar sobre os portugueses. O filme (vou categorizá-lo como de 'comédia-dramática') conta a história
de uma família em que os pais são portugueses e moram há 30 anos em Paris. A mãe
é porteira de um pequeno prédio residencial, o pai uma espécie de mestre de
obras e os filhos têm esse complexo de quem quer ser parisiense ou portugues como os pais e portanto não estão seguros se sonham em retornar a Portugal.
Um dos pontos do filme é o modo que os pais trabalham, como
bons empregados e com típicos patrões: não há limites entre a troca de favores
ou o horário de trabalho e muito menos a folga estabelecida. Tornando-os
escravos de uma subordinação em que os motivos se confundem entre serem empregados
e bondosos ou portugueses que precisam cumprir ordens sempre.
E é aí que está esse paradoxo que poderia ser só português mas
na verdade é universal: a mania de inferioridade de um país perante o outro. No caso, portugueses que se sentem inferiores na França. Porém, vejam só como o mundo é mesmo uma gaiola, assisti ao filme na semana que vi com mais frequência problemas
de brasileiros em Portugal, principalmente em Coimbra, sofrendo preconceito puro - por serem brasileiros. Isso prova que o problema é cometido e repetido paradoxalmente por quem também
sofre dele. Eu sei que há motivos históricos em cada caso particular (mas que na verdade nos levam ao mesmo ponto: a economia) e que há as
mídias que parecem fortalecer os preconceitos ao redor do mundo. Mas em 2014
não dá mais para jogar a culpa em alguém e pronto.
Quando eu disse que o problema é cometido por quem também
sofre dele fica claro a hierarquização do mundo, assim como brasileiros estão
ainda sofrendo preconceitos idiotas, outros brasileiros idiotas o repassam contra
outras etnias aqui no Brasil. E assim seguimos numa hierarquização de países, costumes e cultura. Na qual, pensando bem, quem sofre o
preconceito étnico não é nomeadamente quem vai repeti-lo com outra pessoa porque uma vez sentido na pele, as coisas mudam. Então fica mais duas lamentações: a falta de solidariedade e que as pessoas não aprendem nada com a
história do seu país.
Fora esse tema de complexo étnico, que na verdade nem é
o tema principal do filme, mas sim o desejo de retornar, está muito claro o encanto de pertencer a Portugal e
como o país se revela o pitoresco da Europa. O que é bem verdade, o que é bem
bonito e real sobre o orgulho de se manter português – apesar de tudo.
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